30.10.17

Por que o conservadorismo é popular (parte II)?

     Tanto a conclusão do post anterior seria verdadeira que, a despeito de as periferias menos escolarizadas e evangélicas terem tais opiniões conservadoras a respeito de violência e criminalidade, a questão relativa ao casamento homossexual não foi respondida com o mesmo grau de conservadorismo. De acordo com o Ibope, os brasileiros que defendem pena de morte e redução da maioridade penal também aceitam cada vez mais o casamento entre pessoas do mesmo sexo (um empate técnico entre os favoráveis e os contrários). A propósito, uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo sobre periferias paulistanas também traz dados interessantes a respeito do modo como pensam sobre temas diversos, como Estado, religião e sexualidade (a pesquisa está aqui: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2017/03/Pesquisa-Periferia-FPA-040420172.pdf).

     Assim, o conservadorismo é popular (ou tem penetração nas classes populares) porque ele pode fornecer respostas ou alternativas que mais satisfaçam a certas demandas oriundas de percepções ou visões pragmáticas da realidade. Mas atente-se para o fato de que não se está discutindo, aqui, se os pontos de vista ou propostas conservadoras são certas ou erradas. O ponto era refletir sobre o porquê de tais pontos de vista terem ressonância nas classes populares.

     Se, agora, conseguimos ver que as classes populares podem ser tão racionais, razoáveis e pragmáticas quanto quaisquer outros indivíduos, abre-se o caminho para a questão de como - para quem se pretende progressista, humanista etc - fazer frente ao ideário conservador e apresentar alternativas de fato mais efetivas às bandeiras conservadoras.

     Não é tarefa fácil. Qualquer habitante da periferia pode "testemunhar" a seguinte situação hipotética: um taxista é morto num assalto, e em seguida a polícia domina o criminoso e ele vai para a prisão. Testemunha também os defensores dos direitos humanos exigirem da polícia tratamento humano ao criminoso, cuja família também receberá um "bolsa-prisão" do governo, enquanto a família do taxista morto não receberá nada. Entre alguns políticos conservadores, tal visão é realidade (vide aqui um exemplo: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/o-8220-bolsa-cadeia-8221-do-governo-federal-e-maior-do-que-o-minimo-que-dilma-quer-pagar/).

     Me parece razoável a afirmação de que é frequente, entre os conservadores, a prática da simplificação das questões, dos problemas e também das soluções. Não que entre os esquerdistas não existam visões simplistas - elas existem. Mas, os conservadores parecem mais competentes em fazer suas visões simplistas mais marcantes ou "esclarecedores" à razão alheia.

     O exemplo acima demonstraria isso. Ao político em questão, que quer acabar com a situação em que o criminoso é premiado (com o "bolsa-bandido") e a vítima é penalizada (nenhuma compensação recebe), deveriam ter lhe informado que o auxílio-reclusão é um benefício pago pelo governo aos dependentes do criminoso que tiver contribuído para o INSS (maiores detalhes aqui: http://www.previdencia.gov.br/servicos-ao-cidadao/todos-os-servicos/auxilio-reclusao/). E que também a família da vítima de um crime (como no caso hipotético acima) teria direito a benefício do INSS, caso a vítima fosse contribuinte da Previdência social pública.

     Como, então, apresentar um contraponto tão didático, simples e aparentemente justo e acertado à "proposta" conservadora do "bandido bom é bandido morto"? Ou à proposta conservadora de se armar a população para fazer frente ao crime? De se reduzir a maioridade penal?

     Ou, ao nos propormos tais contrapontos, já cairíamos na armadilha (conservadora) de tentar dar respostas simples a questões que, se vistas de um modo mais qualificado, são complexas?

     Deveríamos assumir como um dado o modo pragmático de pensar, e tentar debater dentro de seus limites? Ou tentar insistir em uma formação intelectual capaz de conceber o que imediatamente ocorre dentro de um cenário mais amplo? Como tentar também convencer os indivíduos da necessidade de refletirem de modo mais amplo sobre as questões que os afligem?

     Sim, porque, se já concluímos que as classes populares não são irracionais, e que pensam racional e pragmaticamente, também devemos considerar que o pensamento pragmático, racional, de curto prazo, não é também uma garantia per si de esclarecimento ou de uma reflexão mais rica. A propósito, superficialidade e ausência de maior capacidade reflexiva e intelectual são, nestes tempos de "pós-verdade", uma praga que ignora fronteiras de classe ou de condição social.

Por que o conservadorismo é popular (parte I)?

     Há pouco menos de um ano, o Ibope fez uma pesquisa para tentar medir o grau de conservadorismo dos brasileiros (vide aqui: https://exame.abril.com.br/geral/pesquisa-ibope-comprova-que-brasileiros-estao-mais-conservadores/#). Descobriu-se que os brasileiros estariam mais conservadores do que seis anos atrás (ou, agora, quase sete, desde que o instituto fez a pesquisa pela penúltima vez), em questões como aborto, pena de morte, maioridade penal, casamento homossexual etc. E descobriu-se, também, que tais posições são mais comuns entre os menos escolarizados e evangélicos, sendo que as pessoas mais "liberais" nos costumes são as mais escolarizadas (fizeram faculdade) e sem religião.

     Como existe uma correlação (embora não uma relação causal, muito menos mecânica ou automática) entre nível de escolaridade e nível de renda, pode-se concluir com razoável grau de acerto que o conservadorismo é forte na população mais pobre e periférica.  Suponho que candidaturas ao legislativo com apelo conservador tenham respaldo em tais setores da população.

     Nos meios, digamos, mais escolarizados e intelectualmente sofisticados, há progressistas que se espantam ou se admiram com tais fatos. Em especial, em meios acadêmicos com intelectuais de extração mais marxista, tais constatações são explicadas por teorias como a da ideologia - se o pobre (ou a classe trabalhadora) pensa como o rico (ou a classe burguesa, proprietária), isso deve ocorrer porque pensam conforme a ideologia dominante, que seria a ideologia da classe dominante, e tal ideologia seria uma imagem falsa da realidade, colocada ali para ludibriar a consciência do dominado. A ideologia não flutua no espaço, de modo que haveria algo, na vida social material, que acontecesse eventualmente e que demonstraria sua "validade" (por exemplo, o dito de que, no mundo moderno, alguém pobre pode ser rico se realmente se esforçar, como demonstram ricos que foram pobres, embora estes sejam uma exceção absoluta em meio à multidão de pobres que jamais conseguirão sair de sua condição social etc).

     Contudo, nosso palpite é o de que, para certos valores e crenças, a teoria da ideologia não tem validade. Por exemplo, a máxima, "bandido bom é bandido morto". Se um habitante da periferia concorda com ela, rapidamente alguém poderia sugerir que tal máxima é ideológica, porque corresponde ao interesse das classes dominante/média em segregar e afastar o perigo gerado pela violência de marginalizados oriundos das classes populares, que ameaçam as propriedades e vidas dos cidadãos "de bem" etc. E, se um morador da periferia acredita nisso, então estaria sendo manipulado, porque afinal a violência das forças de segurança policiais se voltaria contra membros de sua própria classe social (pobres, marginalizados etc).

     Ocorre, contudo, o seguinte. Um morador das periferias brasileiras poderia perfeitamente ter mais razões efetivas e pragmáticas para concordar com a violência repressiva da polícia do que pessoas de quaisquer outras regiões e classes sociais. Por quê? Porquê o habitante da periferia, que se desloca para o trabalho e normalmente a pé e de transporte coletivo, está muito mais vulnerável à violência e à criminalidade do que indivíduos das classes média ou alta. Enquanto alguém que anda de carro demora segundos ou minutos para se deslocar por certas ruas e partes da cidade, os indivíduos que usam calçadas e esperam por conduções em pontos de ônibus, metrô e trem demoram muito mais tempo para vencer as mesmas distâncias.

     Em relação a crimes de rua, portanto, indivíduos das classes populares, que mais tempo passam na rua, ficam mais tempo expostos, e portanto têm maior probabilidade de serem alvos. Segue-se, daí, que a violência e a criminalidade têm um corte de classe, mas particularmente perverso para as classes populares - elas são alvos da criminalidade com mais frequência do que as classes médias e alta.

     Assim, é razoável que as classes populares, os moradores das periferias, sejam sensíveis a argumentos conservadores como o da repressão violenta a criminosos: porque elas são alvos do crime, convivem cotidianamente com ações violentas, corpos sem vida estirados no chão por ocasião de guerras de gangues ou com a polícia, sabem muito bem o que é viver em uma zona de conflito. Estão cansadas de viver apavorados, carecendo, portanto, de ordem e estabilidade, de um mínimo de paz e tranquilidade para viverem. E, normalmente, é o conservadorismo quem se apresenta como mais diretamente preocupado com a questão da violência. 

     Portanto, da parte das classes populares, a concordância com alguns pontos de vista conservadores seria um posicionamento mais pragmático e racional do que propriamente ideológico ou tributário de alguma cultura autoritária e violenta. O preconceito comumente dirigido às classes populares, de que seriam menos propensas ou capazes de pensar racionalmente, razoavelmente ou pragmaticamente, não se confirma.   

29.10.17

Última pesquisa eleitoral, Lula x Bolsonaro e perfis de eleitorados: nossos palpites

     Saiu uma pesquisa do Ibope hoje, mostrando que, se as eleições presidenciais fossem hoje, Lula e Bolsonaro disputariam o segundo turno (a notícia pode ser vista aqui: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/lula-e-bolsonaro-iriam-ao-segundo-turno-se-eleicoes-fossem-hoje-aponta-ibope/).

     Nosso palpite é que, pelos dados da pesquisa, o eleitorado anda detestando o presente político brasileiro e o que se relaciona diretamente com ele. Por isso, se divide entre a preferência por um futuro incerto mas alegadamente "antipolítico" (Bolsonaro), e um passado sem surpresas ou grandiosos feitos, embora tenha sido de realizações e melhorias diversas (Lula).

     Digo isso baseado nos lugares sociais prováveis de quem está preferindo Lula ou Bolsonaro. Este tem um eleitorado em princípio heterogêneo: entrada certa naqueles afinados com a chamada extrema direita, mas colhe apoio também entre os mais jovens membros de parcelas mais empobrecidas da classe média, desempregados ou subempregados, além de sudestinos e pessoas com ensino superior. O eleitorado de Lula é menos escolarizado e em geral de renda menor, mulheres e nordestinos.

     Como não subestimo a inteligência das pessoas, e tampouco acredito que nível de escolaridade seja correspondente automático de maior ou menor inteligência, assim interpreto os perfis: o eleitorado de Lula é composto em sua maioria pelos setores da sociedade que mais foram beneficiados pelas políticas dos governos petistas nos anos 2000 e primeira metade dos 2010's. Tais eleitores são tão pragmáticos quanto quaisquer outros, e escolhem de acordo com o que consideram racionalmente melhor para eles. Assim como um eleitor evangélico escolhe um pastor, um eleitor ruralista não escolhe um candidato sem-terra, um eleitor rico escolhe quem considera que mais vai beneficiá-lo. E os eleitores de Lula estarão, normalmente, nos estratos sociais mais baixos e mais demandadores das ações e políticas governamentais.

     Já o eleitorado de Bolsonaro, a despeito de sua suposta heterogeneidade, teria os seguintes traços socioculturais: está nas classes médias e altas, ou em nos que almejam tais posições sociais. As classes médias altas são em geral mais escolarizadas, um traço sociológico típico da classe média tradicional em muitos países (dado que o valor da meritocracia cala fundo neste setor). O que elas esperam do poder ou do governo? Que não as atrapalhe. Uma posição oposta à de grande parte do eleitorado lulista, composto por quem, consciente ou inconscientemente, é demandante da intervenção governamental.

     Este traço do empreendedor e do profissional liberal também pertence a quem eleitoralmente prefere Doria ou um tucano qualquer. E aí entrariam em ação traços aparente de Bolsonaro que o diferenciariam dos tucanos: sua franqueza, um conservadorismo popularesco e sua posição anti-establishment ou "anti-políticos".

     Neste sentido, Bolsonaro seria quem mais se pareceria com Trump: um conservador de mão pesada e completamente fora da "classe política" viciada e permanentemente encastelada no poder. Um não-político, um herói pronto a fazer o que os políticos não sabem, não podem ou não querem fazer.

     Naturalmente que estamos longe das eleições, e só podemos brincar com hipóteses e conjecturas. Mas, de todo modo, o retrato do eleitorado atualmente é em sua maior parte este: uma parte que quer a volta do passado lulista, outra que quer um futuro anti-político e uma terceira que não sabe o que quer (brancos, nulos). 

     Com todas as outras variáveis aguardando encaminhamento (o judiciário tirará Lula da disputa eleitoral? A direita quer isso? Lula pode transferir-se para outro candidato? Bolsonaro resiste a movimentos de desconstrução? São Paulo dará seus votos para quem?Se o desemprego continuar - lentamente - caindo, quem se beneficiará? Etc.), só uma coisa é certa: o ano que vem tem tudo para ser mais estrambótico do que nossas mais bizarras expectativas.


Está ruim? Sempre pode piorar: mais armas!

          Está pronto para "apreciação do Plenário" - ou seja, para ser votado em plenário da Câmara federal - o Projeto de Lei 3.722/2012, eufemisticamente chamado por seus defensores de "Estatuto do Controle de Armas de Fogo". Dado que seu propósito fundamental é mandar pelos ares o Estatuto do Desarmamento e facilitar o acesso a armas de fogo pelos cidadãos "de bem" (logo mais discutimos isso também), não faz muito sentido usar a palavra "controle", e muito menos falar em "controle de armas". Se aprovada, tal lei ensejará mesmo o descontrole do número de armas existente na sociedade, bem como de todos os riscos decorrentes de sua existência.

          Vamos logo à busca pela verdade, para depois nos ocuparmos da triste e inútil tarefa de refletir sobre os porquês de aquela coitada ser tão manipulada e distorcida. Empresas que atuam no ramo de armas financiam candidatos que, uma vez eleitos, devolverão o apoio prestado na forma de atuação para modificar as leis em favor daquelas. Isso vale para todos os deputados eleitos, do autor do projeto de lei ao relator e aos que se ocupam de montar comissões especiais para "debater" o projeto (vide aqui, http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/industria-da-bala-doa-quase-r-2-milhoes-em-2014/, aqui, http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=541857, e aqui, http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA/536045-RELATOR-DEFENDE-APROVACAO-DO-ESTATUTO-DO-CONTROLE-DE-ARMAS-DE-FOGO.html).

          Não discuto em princípio o apoio de empresas a deputados, nem a realidade segundo a qual a sociedade, segmentada em diversas e desiguais regiões, se organiza para se fazer representada no poder público (talvez fosse mais acertado falar em poder "dos públicos"). O tema são as armas e a estupidez atroz de se defender que problemas sociais possam ser combatidos entupindo-se as pessoas com armas.

          Em uma matéria de alguns anos atrás, o El País Brasil mostrava como o autor do projeto de lei armamentista teria se baseado  em erros e interpretações equivocadas de dados relativos a pesquisas feitas sobre o tema (https://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/20/politica/1429540410_832811.html?rel=mas). Me baseio nela para as seguintes considerações.

          Para quem diz que o Estatuto do Desarmamento não pega as armas dos bandidos, um relatório, feito por ocasião da CPI do Tráfico de Armas na Câmara, concluía que 55% das armas encontradas com criminosos haviam sido legalmente vendidas - ou seja, a cada duas armas compradas por cidadãos de bem compra, pouco mais de uma acabaria caindo em poder de criminosos.

         Outro dado interessante, ignorado pelos armamentistas: entre 1980 e 2003, a taxa de homicídios cometidos por armas de fogo crescia 8% ao ano. Já nos dez anos seguintes, a taxa passou a ser de 1% ao ano. Isso sugere que o Estatuto teria interrompido o ritmo de crescimento das mortes por armas de fogo.

          Sobre a noção de "cidadão de bem", maior de idade, sem antecedentes criminosos, sem sequer ser alvo de processos, que poderia adquirir uma arma, este é um critério que, convenhamos, não oferece qualquer garantia de que a arma irá parar em mãos responsáveis e bem intencionadas. Afinal, salvo prova em contrário, "cidadãos de bem" são ainda seres humanos, sujeitos a todos os incontáveis fatores que podem levar qualquer um a experimentar momentos de desequilíbrio, tristeza, depressão, revolta, paranoia, agressividade etc. 

          Excetuando-se os psicopatas (que em princípio são moral e mentalmente desprovidos do atributo maior de humanidade, o sentimento da compaixão), pessoas cometem crimes por inúmeros motivos, mas até o momento em que cometeram o crime, pertenciam ao rótulo dos "cidadãos de bem".

          Os exemplos ilustrativos disso são inúmeros. Lembremos dos mais recentes (da semana passada até no máximo um MÊS atrás). A mais terrível carnificina cometida nos EUA, o massacre de Los Angeles, em que um único atirador matou 59 pessoas e feriu mais de 500. Até aquele momento, o atirador era um um "cidadão de bem", norte-americano (Stephen Paddock), branco, meia idade, sem antecedentes criminais, o perfil inquestionável de um "cidadão de bem".

        O garoto que matou a tiros colegas de sala em uma escola de Goiás, é filho de policiais honestos, cidadãos de bem e etc, etc, etc. 

          Nos chocamos com tais horrores porque buscamos (inutilmente) as razões, motivações ou sentidos minimamente críveis de quem os comete. Mas, no final, parece restar apenas isso: matanças sem razão ou propósito só encontram sentido em sua própria magnitude e potencial destrutivo. Neste sentido, até sugeriria que devessem mudar aquele ditado popular para, "acesso fácil a armas, oficina do diabo".

         [Alguns têm a pachorra de argumentar que são as pessoas que matam, que armas são só instrumentos, e que por este critério deveriam abolir também a circulação de facas ou automóveis, já que também se pode matar com eles. Certo. No dia em que soubermos de alguém que, munido de facas ou automóvel, matou 60 pessoas e feriu 500 em poucos minutos, aí conversamos]

         Assim, não é possível adivinhar se ou quando um cidadão de bem, racional e bem intencionado, irá "surtar" e cometer um crime. Portanto, não é possível que uma lei que defende que o cidadão se arme para proteção impeça o fenômeno dos cidadãos de bem que "surtam" e cometem crimes. A única coisa que é possível saber é que, como a arma de fogo representa um poder destrutivo muito superior a facas ou pedaços de pau, sua ausência certamente pouparia mais vidas.