O STF decidiu, hoje à tarde, que redação do Enem que desrespeitar direitos humanos não pode ser anulada.
Assim parece chegar ao fim a novela iniciada no dia 26 de outubro, quando, por dois votos a um, a 5ª Turma do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) revogara a regra da nota zero em caso de desrespeito aos direitos humanos. (Digo "parece" porque, no Brasil nunca se sabe...)
Após o que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e o próprio PGR (Procuradoria-Geral da República - MPF) entraram com recurso.
De minha parte, tenho dificuldade de entender a medida pela qual o Inep, no item 14.9.4 do edital de 2017, estabelece que deveria ser anulada a redação que, entre outras coisas, "desrespeite os direitos humanos".
Essa medida não me parece nada republicana nem democrata.
Dar zero a uma redação porque "desrespeita" os direitos humanos me parece mais com censura.
Além de constituir uma contradição pragmática: a censura é um desrespeito aos direitos humanos!
Mas, afinal, o que significa desrespeitar os direitos humanos? Qual é o critério? Quem vai decidir, o professor?
Além disso, para que mesmo serve a redação?
Para avaliar opiniões, posições políticas, visões de mundo ou para avaliar se o aluno sabe escrever, elaborar um discurso coerente no padrão culto da língua?
Note que essa prova é eliminatória: o aluno que zerar é automaticamente eliminado.
Será mesmo justo -- republicano e democrático -- fazer um estudante perder um ano por este ter expressado uma opinião politicamente incorreta?
Que você acha, raro leitor?
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