20.11.17

Utilitarismo

Se roubo 1 pulmão de uma pessoa que tem 2 e o dou a outra que não tem nenhum, eu estarei agindo moral ou imoralmente?

Segundo o utilitarismo, é moral ou correta a ação que visa (a)o maior grau possível de bem-estar e/ou felicidade geral, ou, por outra, a ação que visa (a) satisfazer os interesses da maior quantidade possível de pessoas.

Se roubo um pulmão de quem tem 2,  é óbvio que estou infligindo grande sofrimento a essa pessoa, e, portanto, diminuindo o seu nível de bem-estar e/ou felicidade.

Entretanto, como a minha ação não termina aí, mas continua -- transferindo o pulmão roubado para outra pessoa a fim de salvar sua vida e, portanto, de aumentar seu bem-estar e/ou sua felicidade --, o utilitarista deverá efetuar o seguinte cálculo:

1) Subtrair do total de bem-estar da pessoa A a quantidade correspondente a 1 pulmão;
2) Somar ao total de bem-estar da pessoa B a quantidade correspondente a 1 pulmão, e
3) Comparar o resultado obtido com o total de bem-estar geral (A + B) antes da operação.

Como 1 pulmão vale infinitamente mais para a pessoa B do que para a A, não há simetria entre ambos os casos. A título de ilustração, vamos, eu e o raro leitor, atribuir valores ao cálculo utilitarista:

1) 100 - 33,33 = 66,66;
2) 10 + 66,66 = 76,66, e
3) (66,66 + 10 = 76,66) < (66,66 + 76,66 = 143,32)

Em 2, estimamos em 10 o valor de 0 (zero) pulmão, uma vez que a pessoa pode ser mantida viva artificialmente por algum tempo.

(O conceito econômico de "valor da utilidade marginal" explica a diferença de valor entre o 1º pulmão (66,66) e o segundo (33,33). Com efeito, o 1º pulmão me dá a vida enquanto o 2º apenas melhora sua qualidade.)

Se os valores fossem outros, mas ainda representassem os respectivos graus de bem-estar das pessoas A e B, o resultado seria o mesmo: o total de bem-estar geral é maior depois da operação de transferência do pulmão de A para B.

Logo, a resposta à pergunta com a qual começo essa reflexão é: SIM, do ponto de vista utilitarista, se roubo 1 pulmão de quem tem 2 e o dou a quem não tem nenhum, eu estarei agindo moralmente.

Que você acha disso, raro leitor?

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